ABENC aposta em qualificação técnica com 8ª Jornada de Minicursos

Atividade reuniu engenheiros civis em Curitiba para aprofundar conhecimentos sobre diferentes áreas da profissão

A troca de conhecimentos técnicos marcou a 8ª Jornada ABENC de Minicursos – Engenheiro Civil Antônio Carlos de Aragão, realizada nesta quarta-feira (4), no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), em Curitiba. Promovida pela Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC), a atividade ofereceu capacitações voltadas a diferentes áreas da profissão.

De acordo com o presidente da ABENC, Francisco Ladaga, a iniciativa faz parte do compromisso da entidade com a valorização profissional e a disseminação do conhecimento. A proposta é proporcionar um espaço em que engenheiros experientes e com formação especializada possam compartilhar seus conhecimentos com outros profissionais e estudantes.

“A ABENC tem como objetivo principal a valorização e o crescimento da engenharia civil. Nós entendemos que a valorização acontece também ao levar atualizações constantes aos profissionais da engenharia”, explica Ladaga.

O presidente destaca que os minicursos também podem despertar o interesse dos participantes por novas áreas de atuação e pelo aprofundamento dos estudos. Com duração de três horas, as atividades permitem uma abordagem mais detalhada dos assuntos de forma prática. 

“Nós buscamos trazer ao profissional um conhecimento, um nicho de mercado ou uma necessidade dele ampliar seus conhecimentos naquele assunto”, afirma.

Inteligência artificial como ferramenta de apoio

Entre os temas abordados esteve a aplicação da inteligência artificial (IA) na engenharia civil. Ministrado pelo engenheiro Lucas Reginato, o minicurso apresentou ferramentas e soluções que podem auxiliar os profissionais a otimizar tarefas e aumentar a produtividade.

Segundo Reginato, a utilização dessas tecnologias ganha relevância diante da escassez de mão de obra qualificada e da necessidade de melhorar a eficiência dos processos. Entre as aplicações mais acessíveis estão a revisão de documentos, a leitura de e-mails e a automatização de atividades operacionais.

“A IA acaba sendo uma ferramenta que pode auxiliar muito nesse sentido. Quando eu tenho a minha mão de obra, mas não consigo investir mais em contratação, eu consigo automatizar, gerar mais resultados e ter ganho de produtividade”, explica.

Apesar das possibilidades, o especialista ressalta que a adoção dessas ferramentas exige atenção à confiabilidade das informações geradas. Para ele, um dos principais cuidados está nas chamadas “alucinações da inteligência artificial”, quando os sistemas apresentam dados ou informações que não correspondem à realidade.

Reginato defende que a tecnologia deve ser utilizada como apoio ao trabalho técnico, sem substituir a análise e a responsabilidade do engenheiro. “Ela é uma ferramenta e não uma solução”, resume. Segundo o palestrante, atividades como análise de dados, criação de gráficos e organização de documentos estão entre as aplicações que podem auxiliar a rotina profissional.

Segurança das edificações na prática

A segurança contra incêndios em edificações também esteve entre os assuntos discutidos na jornada. No minicurso sobre reformas e retrofit na segurança contra incêndio, o professor Rodrigo Freitas abordou os cuidados necessários durante intervenções em construções existentes.

Segundo Freitas, uma das principais preocupações está na escolha dos materiais e na preservação das rotas de fuga. Alterações realizadas sem a devida avaliação técnica podem aumentar a quantidade de materiais combustíveis em uma edificação ou comprometer as condições de evacuação em situações de emergência.

“Cuidado com as saídas de emergência sempre, cuidado com o aumento do material combustível dentro da edificação”, alerta o professor.

Freitas também destacou a importância de considerar o comportamento dos materiais utilizados em pisos, paredes, tetos e fachadas diante de um incêndio. O especialista citou o caso da Boate Kiss como exemplo da necessidade de atenção aos materiais combustíveis empregados nas edificações.

Para o professor, o trabalho do engenheiro civil vai além da identificação dos riscos e envolve a busca por alternativas que contribuam para a prevenção de incêndios, a redução da propagação das chamas e a proteção das pessoas.

O método simplificado de dosagem de concreto também esteve entre os temas da jornada, em minicurso ministrado pelos engenheiros civis Carlos H. Zanetti e Rafael Walachinski. A atividade abordou os materiais constituintes do concreto e os princípios de sua dosagem. Ao final, os seis participantes realizaram um exercício prático de cálculo utilizando o método apresentado.

Em entrevista, Zanetti ressaltou que, apesar de ser um dos materiais mais utilizados na construção civil, o concreto ainda exige maior compreensão sobre os critérios de especificação e as responsabilidades dos profissionais envolvidos. “A gente vê que tem uma ausência muito grande de compreensão. Qual é a responsabilidade do construtor? Qual é a responsabilidade do calculista?”, questiona.

O engenheiro também alertou para as consequências de uma especificação inadequada do concreto, que pode comprometer a segurança das estruturas e, em situações mais graves, provocar o colapso de uma obra.

Conhecimento e valorização profissional

Além do conteúdo técnico, a jornada incentivou a troca de experiências entre profissionais de diferentes áreas da engenharia civil. A diversidade de assuntos abordados acompanha a proposta da ABENC de promover um congresso abrangente, capaz de atender participantes com diferentes especialidades e realidades profissionais.

Para Lucas Reginato, esse intercâmbio é um dos principais benefícios das atividades. “Você consegue ver diferentes aplicações, diferentes pontos de vista dos profissionais e até entender como ajudar cada um deles”, destaca.

Segundo Ladaga, a escolha dos temas considera discussões atuais da profissão e a contribuição de especialistas com conhecimentos acadêmicos e práticos. Os palestrantes participam voluntariamente das atividades, compartilhando suas experiências com a comunidade profissional.

A 8ª Jornada ABENC de Minicursos acontece na mesma semana da programação do 31º Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis, que acontece de 4 a 6 de novembro, em Curitiba. O encontro reúne profissionais e especialistas para discutir os desafios da profissão e as transformações da engenharia civil.

Veja Também:

Confira a galeria de fotos da abertura do 31º CBENC

Curitiba recebeu, nesta quarta-feira (4), a abertura do 31º Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis (CBENC), que reúne profissionais e autoridades de todo o país para debater os rumos da engenharia

Compartilhe:

plugins premium WordPress