Mercado de trabalho e novas tecnologias pautam primeiro dia de palestras do 31º CBENC

Além das apresentações técnicas, participantes destacaram a troca de experiências e as oportunidades de aprendizado durante o congresso

O mercado de trabalho, a inteligência artificial e os desafios técnicos da engenharia civil estiveram entre os assuntos abordados nesta quinta-feira (5), primeiro dia de palestras do 31º Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis (CBENC), realizado no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), em Curitiba. Promovido pela Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC), o evento reúne profissionais de diferentes regiões do país para discutir questões relacionadas ao exercício da profissão.

Na palestra “Engenharia Civil Além do Diploma: Quem o Mercado Realmente Quer Contratar?”, Rodrigo Lellis discutiu as possibilidades de atuação dos engenheiros civis para além das funções tradicionalmente associadas à profissão. A partir de sua experiência profissional, abordou a importância de conhecer não apenas os aspectos técnicos da engenharia, mas também o funcionamento e as expectativas do mercado de trabalho.

Segundo Lellis, compreender a dinâmica das empresas e a maneira como os resultados são cobrados é fundamental para atender às demandas profissionais. “O profissional que entenda as regras do mercado, entenda a dinâmica, entenda como isso é cobrado, entenda como o mercado espera que você responda”, destacou.

A aplicação da inteligência artificial na rotina profissional também esteve em discussão. Lucas Alexandre Reginato, responsável pela palestra “Engenharia Civil na Era da Inteligência Artificial: produtividade, decisão técnica e responsabilidade profissional”, apresentou possibilidades de utilização dessas ferramentas, destacando a importância de formular instruções claras e dividir tarefas complexas em etapas para obter melhores resultados.

A programação também contemplou diferentes áreas da engenharia civil, com as palestras “Engenharia da Felicidade”, de Nelson Menezes; “Gestão de Riscos com Foco em Custos”, de Camila Isaton; e “Microrrevestimento Asfáltico a Frio”, de Jesner Sereni Ildefonso. Também foram apresentados temas relacionados a estruturas, com Jorge Silveira, em “Estruturas Metálicas”; Fabrício Longhi Bolina, em “Patologia de Sistemas Construtivos Leves de Aço”; e Vladimir José Ferrari, em “Reforço de Estruturas”.

Avaliação dos profissionais

Entre os participantes, a presidente da ABENC do Rio Grande do Norte, a Engenheira Civil Lúcia de Lima Gomes, que já esteve em outras edições do congresso, destacou a organização do evento e a qualidade das apresentações, classificadas por ela como “palestras de grande nível, muito técnicas, palestras da atualidade”. Vera também demonstrou interesse pela discussão sobre o ingresso de novos profissionais no mercado de trabalho, considerando os desafios enfrentados por quem está iniciando a carreira diante das transformações do setor.

O ex-presidente da ABENC-RJ, Alan Soares, que atua na área de rodovias, destacou a palestra sobre microrrevestimento asfáltico a frio e a oportunidade de reencontrar profissionais de diferentes regiões. “Esses eventos, além de você rever amigos, rever colegas do Brasil inteiro, é um momento para você crescer profissionalmente”, afirmou. O presidente do Crea-RJ, Miguel Fernandes, também ressaltou a multidisciplinaridade da programação e o contato com colegas de outros estados.

Participação acadêmica

Para os estudantes Agatha Macena Santos, de Curitiba, e Gustavo Henrique de Oliveira, de Umuarama, ambos do quinto período de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrantes de um projeto de extensão, o congresso representa uma oportunidade de ampliar o contato com profissionais da área.

Agatha ressaltou a possibilidade de conhecer diferentes experiências e estabelecer contatos fora do ambiente acadêmico. “Principalmente a parte do networking, porque ali na universidade a gente fica meio que numa bolha”, comentou.

Gustavo, por sua vez, destacou a intenção de compartilhar o aprendizado com outros estudantes. “O meu objetivo é levar essas palestras, o conhecimento que a gente adquire, não só pra minha carreira, mas também pra dentro da universidade, pra que mais alunos venham e participem do congresso”, afirmou.

O 31º CBENC teve início na quarta-feira (4) e segue até sexta-feira (6), com uma programação total de 16 palestras e dois debates, incluindo a discussão prevista para quinta-feira sobre o documento de referência para a formação e as atribuições do engenheiro civil, elaborado por uma comissão de especialistas ao longo do último ano.

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